21 de novembro de 2009

Entrevista: banda Punch

por Mário Megatallica

A banda Punch surgiu em 1994 em Goiânia, numa época em que o Heavy Metal estava passando por uma fase muito difícil no mundo todo, já que as bandas que faziam sucesso praticavam uma mistura de Metal com outros estilos, como funk, rap e até pop; em poucos anos ainda haveria o estouro do New Metal. Em Goiânia o Punch simbolizou bem esse espírito de mistura com outros estilos. Tendo influências de Metallica, Slayer, Megadeth, Fear Factory, Machine Head, Korn, Soulfly, entre muitas outras, a banda fazia um som pouco ortodoxo e bem particular, o que fez com que chamassem atenção na cena desde os primeiros shows. Após quase três anos tocando quase todos os fins de semana em todos os tipos de lugares possíveis, a banda lançou a demo Freedom e o álbum Cesium 137. E como a cena goianiense já estava dominada, seus integrantes (Flávio Pessoa e Ricardo Darin - guitarras; Fernando - bateria; Vinícius "Tattoo" - baixo; e Íkaro Santana - vocal) resolveram partir para fora do país, se mudando no ano 2000 para Los Angeles, na Califórnia, EUA, onde a banda se encerrou em dois anos. Quase uma década depois, a banda se prepara para tocar no 15º Goiania Noise Fest, trazendo um clima de nostalgia ao evento. O A&RR aproveitou para conversar sobre tudo isso com um dos personagens principais desta saga, o vocalista Íkaro Santana. Confira esta entrevista logo abaixo:


Como surgiu a banda Punch? Conte um pouco do começo da banda, da definição do seu estilo, etc...

Íkaro: A banda surgiu no início de 1994. Chegamos a ter outros dois bateristas até chegar ao Fernando pois a banda já contava comigo, com o Flávio, o Ricardo e o Vinicius. Nunca falamos que estilo a banda iria ter; cada integrante tem e tinha diferente influências, como Metal, Hardcore e Death.


A banda Punch não seguia a vocação goianiense do Thrash/Death Metal à risca, mas mesmo assim acabou sendo bem acolhida pelo público. Quais foram os fatores determinantes para essa aceitação?

Acho que o maior fator foi esta diferença de estilos que tentamos misturar. O Punch foi enfluenciado desde Down, Downset, Strife, Metallica, Slayer, Death, Carcass, mas acho que o maior fator que tivemos para obter o respeito do público foi a energia do show ao vivo.


Como era tocar vários fins de semana seguidos e com bandas que não tinham muito a ver com o som do Punch? Lembro-me de ter ido a uma apresentação da banda na qual uma dupla de rappers subiu ao palco depois de vocês...

(gargalhadas) No início o que vinha a gente pegava. Chegamos a tocar até em galinheiro! O importante é manter a cabeça aberta e ter humildade. E não importa quem está vendo o show pois sempre terá alguém que vai gostar do que você está fazendo.

Como as músicas eram construídas? Quem era o principal responsável pela sonoridade da banda? Havia algum tipo de direcionamento?

Não. O Ricardo, o Flávio e o Vinicius sempre chegavam com um riff novo e íamos tocando até chegar no esqueleto da música. Às vezes um ou outro chegava com um música completa. Mas a parte de vocal sempre ficou por minha conta.


Depois de um grande período de shows e com um grande número de fãs, o Punch resolveu lançar um demotape. Conte como foi o processo de gravação e a repercussão da demo Freedom.

Eu so o maior fã desta demo. Lembro que iria rolar um show dos Raimundos em Goiânia e falei com o promotor, o Reinaldo da Promix, para ver se rolava do Punch tocar. Ele me pediu uma demo, então juntei os meninos e gravamos a demo meio que ao vivo no estúdio e o resultado final ficou foda! O final da história foi que o Punch abriu para o Raimundos e depois disto o público triplicou. Foi um momento muito especial.



A banda recebeu em 1999 uma proposta de uma pessoa do meio musical americano para fazer alguns shows nos EUA, o que fez com que todos deixassem tudo que foi construído durante anos para trás e partisse para a conquista do famoso “sonho americano”. O que de fato foi oferecido à banda naquela época?

Vários shows e oportunidade de tocar para pessoas da indústria do Metal dos EUA.



Como foi a vida de vocês após a entrada em solo americano?

Foi bem complicada no início pois o produtor dos shows não fez nada do que tinha dito para banda! Aí mano foi uma correria total à procura de trabalho, lugar para morar e shows.



A cena americana era totalmente diferente da goianiense naquela época e a sonoridade do Punch com certeza também era. Além disso os americanos tratam a música de forma totalmente profissional, em todos seus aspectos; quase ninguém entra nesse mercado apenas por diversão. Conte como foi a adaptação da banda na cena musical americana da época e como o Punch tentou se sobressair em relação às outras bandas.

A primeira coisa que fizemos foi trocar todos os instrumentos para podermos estar no mesmo nível sonoro das bandas dos EUA. Qualquer banda pequena e independente tocava como banda grande, tanto a parte sonora quanto o show em geral. A outra coisa foi tentar fazer algo diferente do que estava rolando na época. Tentamos fazer algo original, que o público ainda não tinha visto; foi a aprtir daí que escrevemos algumas músicas em inglês e português, misturando ritmos brasileiros.



Os problemas surgiram e em pouco tempo alguns dos integrantes resolveram abandonar tudo e voltar para o Brasil. O que deu errado nessa empreitada?

Acho que a primeira coisa foi o produtor que furou com a banda. Segundo, eu pessoalmente acho que eu e o pessoal da banda éramos muito imaturos na época. Foi um choque de cultura e de vida. Aqui (nos Estados Unidos) você não tem ninguém para olhar por você; é só voce e Deus. Mas mesmo assim lutamos quase dois anos.



Quase uma década depois do fim da banda e onze anos após a última apresentação em um Goiania Noise (a última foi no quarto Goiania Noise em 1998, no cine Santa Maria, num sábado) a banda volta à ativa para tocar na edição 2009 deste festival. Isto pegou todos de surpresa! Como e por que aconteceu essa volta?

Essa história rolou com a idéia de um amigo nosso que se chama Guerino. Depois disto falei com os caras da banda - Flávio, Ricardo e Vinicius - e deu no que deu. Depois falei com o Fabrício Nobre da Monstro para ver se rolava de armar um show com o Punch e ele deu a idéia de tocar no Goiania Noise.



Creio que foi necessário um grande esforço para fazer esse show acontecer, afinal, a banda teria que resolver alguns problemas internos de relacionamentos gerados pelo desgaste da empreitada americana e também pelo fato de você ainda viver nos EUA. Como estão sendo os preparativos para este show? Haverá alguma novidade, alguma surpresa?

Acho que o maior esforço esta sendo fazer os ensaios, voltar a tocar as músicas que não tocamos há dez anos. E eu estarei chegando quatro dias antes do show para ensaiar com a banda e botar quente. Acho que a maior surpresa será tocar as músicas novas que nunca tocamos para o público goiano.



Quais são os planos para o futuro do Punch após o show do Goiania Noise 2009? Aproveite para deixar uma mensagem para os fãs.

Não há planos para o futuro pois ainda vivo nos EUA e ainda temos que ver como será a química depois de dez anos. Mas muito obrigado de coração pela oportunidade de falar com nosso público através do seu site e espero ver todos no show. Vamos quebrar tudo!!






























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