28 de novembro de 2011

Bandas femininas: tabu no Metal?

Apesar de que a maioria das pessoas afirma que o Orkut já "morreu" (algumas até já cancelaram suas contas nesse site) depois da popularização do Facebook, a verdade é que as suas comunidades ainda são um dos poucos atrativos - e diferenciais - em relação a outros sites. E foi numa comunidade que começou a ideia desta postagem.

No Orkut conheci uma comunidade chamada "Mulheres no Metal". Nome interessante e instigante... e logo fui participar para poder conhecer seu conteúdo. Convite aceito e então a surpresa: poucos tópicos haviam sido abertos, apesar do número razoável de participantes. Então resolvi criar um para iniciar uma discussão com as "mulheres do metal" dessa comunidade. E não foi qualquer tópico não! Aliás, nem eu imaginava o quanto esse tópico poderia gerar de discussões no meio Metal. Enfim... abri um tópico chamado "Tabu no Metal?" em que perguntei o(s) motivo(s) que explique(m) o fato de bandas exclusivamente femininas não progredirem no meio musical do Heavy Metal. Por que até hoje, depois de 40 anos de história do Metal, não vemos nenhuma banda constituída somente por garotas seguir uma carreira sólida?

Comunidade do Orkut "Mulheres no Metal".

Até agora poucas garotas responderam essa pergunta - infelizmente. Entretanto, as poucas respostas já apontam indícios interessantes para explicar esse fato tão intrigante. Entre elas, uma me chamou mais atenção: a da headbanger Larissa Hvenegärd. Seu comentário foi, na verdade, um relato bastante pessoal de sua experiência de vida dentro do chamado "estilo de vida Metal", no qual ela fala sobre o preconceito, a discriminação, a indiferença, e tantas outras situações que ela sentiu na própria pele desde que começou a ouvir (e viver) o Heavy Metal.

Confira abaixo como ela respondeu a pergunta que fiz naquele tópico:

"As mulheres do metal - estou me referindo às ouvintes, não às mulheres de bandas - sempre são rotuladas e tratadas com preconceito, até mesmo pelos próprios homens do metal.

Monika Pederssen
Eu mesma vivencio isso ao extremo, pois sou do Metal desde a infância por influência dos pais, e deste modo sempre fui solitária e tratada como esquisita, como anormal, e até como marginal.

Para ilustrar, no meu novo emprego, há uma semana, nunca sofri tanto preconceito e fui tão agredida psicologicamente em tão pouco tempo, já que eu trabalho no ramo Jurídico. As pessoas me perguntam se eu uso drogas, me criticam e me olham com deboche e jogam indiretas, e estou sempre fadada ao isolamento social forçado - nem que eu queira, eu consigo preservar uma amizade por mais de uma semana.

Para se ter uma ideia, aconteceu de desaparecer um celular no Toilette, e apenas a minha equipe de meras nove pessoas foi convocada a uma reunião de feedback, dentre as mais de duzentas pessoas que não foram questionadas. Os supervisores sempre me chamam atenção de maneira agressiva, sempre questionam duramente diante de todos quando eu não consigo atingir algum resultado, sempre me vigiam, as câmeras me seguem por onde eu ando, e por tantos motivos eu acabei sendo exposta ao ridículo em tão pouco tempo, como se eu fosse uma anarquista rebelde. (escuso o desabafo)

Entretanto, devo ressaltar que algumas mulheres do metal apelam muito para comportamentos clichês, não perdem tempo desenvolvendo personalidade e um estilo próprio de ser. Algumas apelam para uma sensualidade desnecessária, são excessivamente sexualizadas e se esquecem do essencial, que é sentir a música e entender a música como algo que move pensamentos.

Simone Simons
O metal é um gênero musical contra futilidade, contra alienação - é um gênero portanto politizado, que nos aguça a atenção à sociedade e nos estimula a ver o mundo de maneira realista, e nos volta à mera condição de humanos e responsáveis por nossos atos.

Deve-se ressaltar que o tabu feminino no Rock em geral se deve à época das groupies, época em que as mulheres ainda não tinham se emancipado, e elas acabavam por se infiltrar na contra-cultura de maneira negativa.

Devo ressaltar também que a mídia (apesar de ser clichê falar dela, embora seja indispensável), contribui muito para a marginalização dos apreciadores de metal, exatamente pelo mesmo ser um gênero politizado, e por vezes militante.... É desnecessário citar os podres que estão à nossa volta...

As mulheres devem deixar de lado a preocupação excessiva em se adequar aos clichês. Mesmo que a sociedade nos pressione, e mesmo que estejamos sofrendo agressão de pessoas cada vez mais intolerantes, ainda há tempo e razão de provarmos o contrário do que pensam de nós."

Angela Gossow
A questão do papel feminino no Metal foi abordada por Sam Dunn em seu documentário de 2005, "Metal: a headbanger´s journey", no qual, apesar da profundidade de suas questões, foi possível perceber a superficialidade das respostas obtidas por "groupies" e ex-integrantes de bandas femininas. Parece mesmo que estamos diante de um tabu!

E como explicar o sucesso de bandas como Girlschool e musicistas como Joan Jett? Ou o sucesso de mulheres como Angela Gossow (vocalista, Arch Enemy), Monika Pederssen (vocalista, Sirenia) e Simone Simons (vocalista, Epica), que são casos de "sucesso solitário", pois são as únicas mulheres em suas bandas?

O que você leu acima é só uma amostra da discussão que este tema - "Mulheres no Metal" - pode gerar. Qual o papel delas nesse estilo? Por que suas bandas não prosperam? Elas são valorizadas como realmente deveriam ser? Essas e muitas outras perguntas vão surgindo em nossas mentes enquanto conversamos sobre isso com alguém. E as respostas para essas questões são cruciais para pelo menos tentarmos entender  relação das mulheres com esse estilo - e com os homens que o criaram e o apóiam.

Acho  que é hora de discutirmos essa relação!
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