2 de agosto de 2012

Dry Bones Valley lança EP de estreia

Nesta entrevista exclusiva para o BlogAeRR, a banda goianiense fala sobre seu EP recém-lançado e sobre seu primeiro show.

por Mário Megatallica

A banda goianiense Dry Bones Valley (DBV) formou-se há quase dois anos mas somente agora decidiu "pôr o pé no acelerador" em suas atividades lançando seu primeiro EP, Dry Bones Valley, e debutando nos palcos durante o  tradicional festival Tattoo Rock Fest.

Os músicos do DBV são remanescentes de outras bandas de Goiânia - algumas que inclusive ganharam bastante destaque na cena Metal local. Rafael Teles (guitarra) e Israel Wolf (guitarra) vieram da banda Magnificencia; Rogério Paulo (bateria) e Carlos Henrique vieram da Arnion; Sandro De La Hoz veio da Aurora Rules. E obviamente cada um pôs suas influências no som peculiar da DBV.

(Esq.-dir.): Sandrão, Carlos, Rafael, Israel e Rogério.

Confira agora uma entrevista cedida pelo baterista Rogério Paulo na qual ele fala sobre a formação da banda, o processo de gravação do EP de estreia e sobre a primeira apresentação da banda.

Como ocorreu o surgimento da banda?
Alguns de nós já tocávamos em um projeto anterior quem encerrou suas atividades mais ou menos no final do ano de 2009. Neste período alguns de nós ainda não sabíamos o que iriamos fazer em relação a projetos musicais. Existiam necessidades pessoais acontecendo com alguns, eram situações que de fato estavam precisando mais de nossa atenção do que a música naquele momento. Mas depois de um tempo eu e o Rafael começamos a fomentar a idéia de começar um novo projeto, só tínhamos certeza de duas coisas: que seria algo novo e diferente do que fazíamos anteriormente, e principalmente que seria algo pra nos divertir, sem pressão e desgastes, afinal, nossas vidas já estão de certa forma bem direcionadas na área profissional; além do que alguns de nós até já se casaram. Mas como somos irremediavelmente amantes da música, ela se tonou o nosso futebol entre amigos. Essa banda surgiu pra isso, celebrar a nossa amizade e fazer o que mais gostamos que é musica.


Por se tratar de uma banda cujo membros pertenceram a outras bandas de Thrash e Metalcore, houve a necessidade de estabelecer um estilo único para o DBV ou vocês acharam melhor deixar a misturar rolar solta?

Além destes dois estilos que você citou, teve também o death melódico que o Rafael e Israel tocavam no Magnificência, a banda que eles tiveram juntos. Com certeza a soma de tudo isso deu forma ao Dry Bones Valley. Queríamos fazer algo novo, mas sem deixar as raízes, e como o Rafael é muito bom em somar esses fatores - além de ser excelente compositor - juntamos nossas características e geramos esse som. A gente curtiu muito o que começou a ser feito, e na verdade queríamos que tanto a nova geração do metal curtissem bem como os caras que gostam de sons mais tradicionais.


Fale da formação atual da banda e do "currículo" musical de cada um.

Eu vim da escola do heavy metal tradicional, mas acabei fazendo parte de uma banda de thrash metal chamada Arnion, onde toquei por mais tempo. O Rafael e o Israel, antes de terem banda juntos, tocaram em bandas de heavy metal e até death metal depois formaram o Magnificência, uma banda de death melódico. O Carlos veio da escola do hardcore, mas acabou fazendo parte também do Arnion junto comigo. Por último e mais recente agregado é o Sandrão, que vem de uma escola totalmente atual, tendo feito parte de uma excelente banda de metalcore de Goiânia chamada Aurora Rules.


Apesar de o primeiro registro da banda, o EP auto intitulado, ter sido lançado na web recentemente, a banda propriamente dita já existe há mais de ano. Por que houve uma demora para lançar esse registro? 

Primeiro porque essa banda nasceu sem a pressão de estreiar rápido para o público, que conhecendo cada um de nós iria gerar uma espectativa imediata, e a nossa resposta não poderia ser imediata, quisemos começar devagar. Alguns de nós estava concluindo faculdades, MBA, fazendo prova da OAB, casando, enfim, a banda ainda não podia ter uma atenção maior de nossa parte, mas já era algo que queríamos muito fazer. O segundo motivo da demora foi que resolvemos fazer um trabalho meio que de forma inversa, muitas bandas começam ensaiando, tocando em shows, um tempo depois gravando e no final lançam um CD. Nós começamos ao contrário: compondo, gravando e lançando o CD, depois ensaiando; e a última coisa que fizemos foi o show (risos). E como o CD foi todo gravado por nós, isso levou um tempo. 


A banda trabalha com dois vocalistas? Há a intenção de explorar essa ideia ao vivo ou mesmo em estúdio?

Sim trabalhamos, é a nossa intenção e é o que já acontece desde que começamos. Quando convidamos o Carlos queríamos um front com pressão, e sempre gostamos muito do trampo que ele fazia na banda anterior. Mas o Rafael também é vocalista e já vinha desenhando ideias com vozes melódicas além dos guturais nas composições... a soma das vozes dos dois deu o resultado que desejávamos.




Que tipo de tema é explorado nas letras do EP?

O Dry Bones Valley é uma banda que não se rotula. Nós simplesmente cantamos o que temos vontade. As letras carregam um pouco do que somos, de forma muito despretensiosa. Tentamos falar do amor ao próximo e da falta do amor a nós mesmos, mostrando sequidão deste sentimento na alma das pessoas, da dificuldade que o sistema politico social impõe a todas as pessoas para que elas possam subsistir. Abordamos até mesmo o tema do suicídio, que pra nós é a decisão mais louca que um pessoa pode tomar, afinal isso significa desistir do instinto mais forte do ser humano, que é de sobrevivência. Enfim, tentamos mostrar uma postura positiva sobre a vida, e que esse recado é antes de mais nada pra nós mesmos, e depois e pra outras pessoas, e que todos podem ainda no meio dos problemas ter esperança de dias melhores.


A produção do EP foi feita surpreendentemente pela própria banda em ambiente doméstico. Dê detalhes do set up utilizado para registrar esse EP. 

Nesta produção, utilizamos dois notebooks básicos com Windows. As placas foram duas M-Audio, uma Fast Track e uma Fast Track Pro. Uma batera Yamaha DTXplorer, que apesar de não ser das melhores resolveu muito bem o problema de gravação de bateria. As guitarras foram duas Schecter de 7 cordas, uma com captadores Seymour Duncan e outra com EMG. Os efeitos de guitarra foram de uma Line 6 POD HD500, um excelente simulador de amplificadores por sinal. O baixo foi um Yamaha TRB, o microfone de voz foi um Behringer C-3. Tudo isso plugado direto nas placas, exceto a POD HD 500 que pode ser ligado direto ao computador. O software de gravação foi o Reaper, os plugins VST foram o Superior Drummer 02, Guitar RIG, T-Racks 03 e alguns outros. 


O que levou a banda a decidir encarar sozinha a produção de seu primeiro registro oficial em um estúdio doméstico? 

Primeiro a vontade de colocar em prática o que aprendemos ao longo do tempo nas produções que participamos, e segundo a falta de grana...(risos). Já que iriamos gastar pra gravar , decidimos comprar algumas coisas pra tentarmos fazer, e assim reduzir gastos com produção - e acho que conseguimos. No inicio não tínhamos idéia se íamos conseguir ou não, mas como não tínhamos pressa resolvemos tentar. Foi uma experiência que desejamos continuar vivenciando, acreditamos que toda banda pode e deve se aventurar com isso, pois o crescimento é absurdo. Vale a pena.


Conte como foi o processo de gravação de cada um dos instrumentos.

Como dito anteriormente foram plugados direto nos computadores. O processo digital é um avanço fenomenal! As guitarras principio foram feitas a partir das placas para testar os VST's e so depois que gravamos com o HD 500, e preferimos ficar com ele. A batera foi conectada via cabo MIDI do módulo para a placa, onde o Superior 02 foi mapeado para a gravação. De principio usamos a expanção Metalheads do Meshuggah, mas quando fomos para a Mix final fizemos algumas misturas. O Baixo foi plugado direto na placa, não usamos nem um direct box.


Como foi feita a captação das vozes?

A voz foi um fato engraçado, os teste foram em um guarda roupas...(risos) mas no final fizemos uma tenda de edredom e posicionamos o microfone em frente a ela, e aproveitamos a ambiência do próprio quarto onde gravamos. Levou um tempo pra acertarmos mas no final deu tudo certo.


A produção do EP foi iniciada dentro de casa, no entanto, a finalização aconteceu em um estúdio profissional. Comente.

Já havíamos feito alguns testes da mix, mas nos faltavam uma sala e uma monitoração descente. Usamos vários fones de ouvido, e testamos em vários sistemas de som, mas quando decidimos que era hora de finalizar, preferimos garantir com uma mix e uma master de qualidade, feita da forma mais correta possível, assim, levamos o material para o Fantom Studio em Goiânia mesmo, e lá o Geovani Maia deu os retoques finais. Podemos dizer que fez toda a diferença, por conta da experiência profissional que ele tem, e com isso ele acabou conseguindo impor a pressão que desejávamos no som.


Seguindo a tendência mundial da era pós-internet, o DBV disponibilizou todas as músicas do EP para audição no site oficial da banda. Além disso, toda as faixas do EP estão disponíveis para download. Por que a banda decidiu entregar todo o material gratuitamente para os fãs e que benefícios o DBV espera adquirir com essa iniciativa?

Como dito na pergunta é uma tendência do mercado independente, e a internet é uma aliada essencial, principalmente por ser um veículo muito eficaz e rápido para propagar informações. Não tínhamos pretensões financeiras com esse trabalho desde o início, queríamos fazer um registro bacana e compartilhar com que gosta de música assim como nós. Esperamos que o maior numero possível de pessoas escutem e compatilhem nosso som, e que elas se divirtam e se alegrem ouvindo essas musicas assim como nós nos divertimos e nos alegramos fazendo cada uma delas. 


O lançamento oficial da banda e do EP DBV ocorreu no dia 14/07/12 com um show no Tattoo Rock Fest 2012 em Goiânia. Fale sobre este show e sobre a reação do público.

Imagine uma banda nova e em Goiânia, na abertura de um festival de varias bandas. Sinceramente não esperávamos muitas pessoas é claro, mas vimos na platéia muitos amigos, isso nos deu força, e aproveitamos para agradecer a cada um deles que esteve por la pra nos ver e apoiar. Pra nós o show foi muito positivo. Aos organizadores do Tattoo Rock Fest nossa gratidão, por terem apostado em nós com essa abertura, principalmente porque começamos em grande estilo em uma estrutura realmente grande e em um evento altamente relevante, e isso não seria possível se esses caras não tivessem nos dado essa chance. Foi com certeza uma grande estréia!


Quais são os próximos planos do DBV?

Fazer mais shows, levar muita diversão para o público e com isso nos divertirmos também é claro, e gravar um novo CD assim que possível!




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