7 de agosto de 2010

Vertentes do Metal: Black Metal

por André Wilker*


Bem vindos amigos do Audio & Rock N Roll, o comentário de hoje é bastante polêmico; a temática religiosa voltada ao satanismo, paganismo ou qualquer outro “ismo’’, que de uma forma ou de outra, refuta e questiona a idéia das religiões judaico-cristãs. O Rock é uma manifestação artística tão democrática, que serve de vetor às mais variadas linguagens, sentimentos e convicções, sejam elas pró ou contra as religiões.

Existem também aqueles que em nada acreditam, como os agnósticos; para eles, assim como não é possível provar racionalmente a existência de deuses e do sobrenatural, é igualmente impossível provar a sua inexistência. Eu vejo o Black Metal mais como uma apologia à idéia da existência de algo, no caso, na existência do diabo; para ser satanista, tem que acreditar também que existe Deus e que Cristo veio ao mundo a Seu serviço.

Sinto que a maioria das bandas de Black Metal se utiliza deste expediente como forma de questionar a influência que as religiões têm sobre as pessoas, influência essa que muitas vezes excede o campo espiritual e adentra ao nosso cotidiano, ditando tendências comportamentais e sociais. Muitos demonstraram insatisfação com essa realidade e partiram para as criticas, o que fica evidente em varias canções deste estilo.

Há os que acreditam piamente que o Satanismo é uma filosofia de vida, um caminho a ser seguido. Essas pessoas levam muito a sério esta ideologia e procuram aplicá-la em seu cotidiano como uma religião propriamente dita.

Existem também aqueles que buscam apenas chocar a sociedade com essa postura, chamar a atenção para si, e talvez mascarar a falta de talento utilizando deste artifício para desviar o foco das pessoas para uma atitude teatral ao invés da música.

Por fim, existe os que apenas querem criar uma atmosfera lúdica de terror, como em um filme de cinema do mesmo gênero, estilo este idealizado pelo Black Sabbath principalmente no início de sua carreira.

Espero não ter deixado nada de fora no que diz respeito ao comportamento dos adeptos desse segmento e não ter ofendido ninguém em seu sagrado direito de escolha.

Historia do Black Metal

A primeira geração do black metal refere-se às bandas dos anos 80 que influenciaram a sonoridade e formaram um protótipo para o gênero.

O termo "black metal" foi cunhado pela banda inglesa Venom cujo nome foi retirado de seu álbum Black Metal lançado em 1982. Apesar do álbum ser considerado thrash metal pelos padrões modernos, apresentava mais temas e imagens centradas no anti-cristianismo e no satanismo do que qualquer outro da época. Os membros do Venom costumavam adotar pseudônimos, uma prática que se tornou comum entre vários os músicos do black metal.

Outra banda pioneira do black metal foram os suecos do Bathory, liderada por Thomas Forsberg (sob o pseudônimo de Quorthon). A banda apresentou este estilo em seus primeiros quatro álbuns, porém no início da década de 90 tornou-se pioneira do estilo que hoje é conhecido como viking metal.King Diamond e Sarcófago teriam sido os primeiros músicos da cena a utilizarem o "corpse paint"(pinturas faciais).

Algumas bandas nos anos 70 que fizeram referência ao lado obscuro da vida não são enquadradas neste estilo, porém influenciaram bandas precursoras do gênero. Alguns consideram que as bandas precursoras fizeram parte da primeira onda do black metal, sendo alguns dos álbuns mais significativos desta onda: Black Metal - Venom, The Return e Under the Sign of the Black Mark - Bathory, Melissa - Mercyful Fate, Apocalytic Raids - Hellhammer e Morbid Tales - Celtic Frost.

Diversas bandas desta mesma época como Slayer, Possessed e Destruction temas satânicos em suas letras, embora suas sonoridades fossem bem diferentes do black metal. Estas bandas ajudaram a forjar a base do que viria a ser o black metal moderno  que passou a existir de forma mais sólida a partir da segunda onda de black metal.

Início dos anos 90 (segunda geração do black metal)

O estilo teve um grande crescimento no início dos anos 90 com a chamada "segunda onda de Black Metal". O ano de 1991 viu os lançamentos dos primeiros discos dessa leva: Worship Him do Samael; o EP Passage to Arcturo do Rotting Christ e Oath of the Black Blood do Beherit.

Foi depois desses lançamentos que bandas da Noruega como Burzum, Darkthrone, Emperor, Mayhem e Immortal contribuíram para tornar o black metal moderno conhecido por todo o mundo. Suas letras falavam de temas pagãos, satânicos, anticristãos e ocultos em geral. Além do aspecto musical, as bandas retomaram o uso das pinturas faciais que passaram a ser chamadas de pinturas de guerra ("warpaint") ou mais comumente "corpse paint". Alguns dos álbuns deste período foram: Fuck Me Jesus do Marduk, Det Som Engang Var e Filosofem do Burzum, A Blaze In The Northern Sky do Darkthrone, Pure Holocaust do Immortal, De Mysteriis Dom Sathanas do Mayhem e In The Nightside Eclipse do Emperor.

Na época de 1991 a 1994 ocorreram na Noruega fatos polêmicos ligados ao black metal como queima de igrejas, assassinatos e violações de túmulos, que indiretamente contribuíram para a divulgação do gênero pelo mundo. Nesta mesma época começam a ser criados inúmeros subgêneros do black metal.

Do final dos anos 90 até hoje (terceira geração do black metal)

Durante os últimos anos da década de 90, o "black metal" ganhou maior notoriedade na mídia através de bandas como Dimmu Borgir e Cradle of Filth, que possuíam uma sonoridade já afastada dos padrões do black metal. Estas bandas logo começaram a ser consideradas black metal melódico ou symphonic black metal, pelo uso intensivo de teclados e elementos de música clássica.

Os EUA têm uma pequena quantidade de bandas de black metal. O movimento estadunidense de black metal é por vezes chamado de USBM. Esse movimento ainda não ganhou uma forma muito clara, mas os grupos mais conhecidos são Absu, Judas Iscariot e Averse Sefira, todos com fortes influências do estilo death metal.

Estas bandas fazem parte da chamada terceira onda de black metal, que contempla o black metal contemporâneo.

História e ideologia do black metal norueguês

As mais proeminentes figuras da original cena da Noruega foi Øystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous, o guitarrista da banda Mayhem, e Varg Vikernes, único músico do Burzum, precursores da cena black metal na Noruega. A cena era profundamente anticristã, e procurava remover o cristianismo e outras religiões não-escandinavas da cultura norueguesa. A maior parte deste movimento foi dirigida pelo "Inner Circle", um grupo formado por Aarseth, Varg e alguns outros amigos próximos, cuja sede era o sótão da loja de discos de Aarseth, chamada de "Helvete" (ou Inferno). A loja incluía um estúdio de gravações, e foi aí que foram gravados os discos do Mayhem, alguns do Burzum e de outras bandas de black metal que assinaram com o selo de Aarseth, chamado Deathlike Silence Productions. Ele só assinava contratos com bandas que, segundo suas próprias palavras, "encarnavam o mal em seu estado mais puro".

Durante este tempo na Noruega diversas igrejas foram queimadas. O "Inner Circle" foi acusado e não reivindicava estes atos, reclamando que o seu objetivo era inspirar seus seguidores a perpetuar o orgulho escandinavo e não deixar que suas origens fossem esquecidas. A mais famosa das igrejas queimadas foi a de "Fantoft Stave", queimada por um membro do "Inner Circle" com ajuda de Varg Vikernes (também conhecido como Count Grishnackh) da banda Burzum. Os entusiastas do black metal também começaram a aterrorizar outras bandas de death metal que tocavam no país e nos países vizinhos.

A cena black metal ganhou uma grande repercussão na mídia quando o vocalista da banda Mayhem, Per Yngve Ohlin, que adotava o pseudônimo "Dead", cometeu suícidio em Abril de 1991 com um tiro de espingarda na cabeça, depois de ter cortado os pulsos e garganta. Devido o seu grande senso de humor mórbido, deixou escrito: "Desculpem pelo sangue". Seu corpo foi descoberto por Aarseth, que em vez de chamar a polícia, foi correndo para a loja mais próxima comprar uma câmera e tirou fotografias do cadáver. Uma dessas fotografias serviu de capa para o álbum Dawn of the black hearts, do Mayhem. Boatos dizem que Euronymous possuía fragmentos do crânio de Ohlin e que ingeriu pedaços de seu cérebro.

O "Inner Circle" foi mais exposto na mídia quando, em 1993, Vikernes assassinou Aarseth em sua casa, com 23 golpes de faca na cabeça e nas costas. Vikernes foi sentenciado a 21 anos de prisão e desde então distanciou-se da cena black metal, escrevendo extensos artigos sobre a história do Burzum. Varg Virkenes, em seus artigos recentes, deixa claro que a música do Burzum não é mais black metal e não tem nenhuma ligação com o satanismo. Entretanto, a sonoridade do seu último álbum Belus é semelhante à dos anteriores, com exceção da parte vocal.

Há um ponto em que não vejo uma definição conclusiva: a diferença entre Death e Black Metal. Parece que a questão paira mais sobre o terreno da filosofia do que da música;o Death Metal parece ter uma concepção mais niilista, agnóstica, enquanto o Black Metal, como já foi dito anteriormente, trafega em uma convicção metafísica. Musicalmente, não vejo muita diferença. Vejam essa definição instrumental e temática do Death Metal e notem que pode se aplicar sem muito esforço ao contexto Black Metal:

•O vocal gutural é uma das características mais notáveis das bandas de death metal. Os vocais normalmente em geral são guturais graves (podendo ter algumas variações para guturais agudos, o vocal scream), porém algumas bandas usam vocal rasgados como o Possessed.

•A bateria é mais cadenciada e faz uso intensivo da técnica de "Blast Beat" (técnicas herdadas do Jazz e Fusion) que emite um som semelhante ao de uma "metralhadora",ou então batida bate-estaca, similar a do Hardcore porém mais acelerada.

•Guitarras bem distorcidas e baixos com andamentos bem acelerados

•As letras das bandas do estilo possuem temas mórbidos relacionados com a morte, violência, filmes de terror, filosofia, batalhas épicas e outros. Vejo o uso de teclados mais comum no Black Metal do que no Death Metal, mas não é uma regra. Realmente, não é muito fácil diferencia-los.

Existem várias subdivisões muito interessantes do Black Metal como o Viking Metal e o Doom Metal (para alguns, uma ramificação do Death Metal); aquele se  aproxima do Heavy Metal tradicional/melódico no que diz respeito às letras que falam sobre vikings, bárbaros, mitologia nórdica e natureza enquanto este é mais lento, cadenciado, recheado de ritmos em andamento lento e músicas com longa duração, criação de atmosferas obscuras e sombrias, predominância de tons menores e pesados, letras que abordam temas pessoais como experiências amorosas, depressão, angústia, medo, desespero e suicídio.

Bom amigos do Blog Audio & Rock N Roll, fico por aqui, lembrando que o mais importante é a liberdade de escolha e o respeito pelas preferências alheias. Até mais!

Fonte: Wikipedia.



*André wilker é músico, guitarrista.

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