13 de setembro de 2009

Saiba Mais Sobre: O que é MIDI? (parte 3 - final)

Esta é a última parte do estudo sobre MIDI que iniciou-se há duas semanas com o estudo do conceito de MIDI e o processo de criação de arquivos MIDI. Agora, para concluir, vamos conhecer um dos maiores softwares de produção e edição de MIDI da atualidade, o Propellerhead Reason, uma ferramenta obrigatória em qualquer estúdio de criação de MIDI. E Para isso, mais uma vez vamos recorrer aos conhecimentos do mestre do home studio, o professor Sérgio Izeckson, que elaborou um artigo especial sobre esse programa. Confira abaixo.


REASON: todo um estúdio MIDI em um só programa

por Sérgio Izeckson*

No universo dos sintetizadores virtuais, o programa Reason, da sueca Propellerhead, é provavelmente o mais completo. Além de incluir toda a gama de equipamentos de MIDI e de áudio de que precisamos, como samplers poderosos, sintetizadores modernos ou com jeito de analógicos, mesas, baterias eletrônicas, efeitos e um seqüenciador MIDI que atua em tempo real, ele tem uma maneira toda própria e extremamente intuitiva de ser operado: todos os “equipamentos” disponíveis têm forma de rack e são conectados a uma mesa de som virtual e a processadores de efeitos exatamente como num estúdio convencional.

A aparência do programa é a de um rack de teclados, com os diversos módulos um em cima do outro. Teclando , viramos o rack para trás e vemos os cabos balançando. Conectamos os diversos módulos com o mouse como se estivéssemos plugando os fios nas entradas e saídas de um estúdio analógico. Definimos todo o endereçamento de sons de instrumentos e efeitos conectando cabos e plugues virtuais aos canais da mesa do Reason. Contendo um poderoso e muito intuitivo seqüenciador MIDI (que só toca, contudo, os próprios instrumentos), o programa permite incluir infinitos sintetizadores, samplers e baterias eletrônicas (ou quantos seu computador conseguir rodar) e conectar todos eles automaticamente, além de salvar todas as configurações junto com cada música. Toda a tecnologia a serviço da facilidade de operação.

Cada um dos dispositivos do Reason tem o visual e o sentimento do objeto real, mas o mais importante é que eles têm o som, o desempenho e a atitude igualmente reais. E você pode repetir o uso de cada dispositivo quantas vezes sua CPU agüentar. Ele é um programa modular, o que implica em maior consumo do processador quanto mais módulos são requeridos.

O Reason está na versão 2.5 (nota do blog: artigo escrito originalmente em 2003. Atualmente a última versão é a 4.0), que introduziu alguns novos componentes ao sistema. As novidades principais são novos processadores de efeitos, como o reverberador RV7000, o
distorcedor Scream 4 Sound Destruction e o vocoder BV512, que vêm adicionar recursos à família de processadores do Reason. Ele roda em Windows 98, Me, 2000 ou XP, Mac OS X e Mac OS 9. Embora a configuração mínima recomendada pelo fabricante seja bem básica, uma máquina mais moderna tem um desempenho mais adequado.

Mixer, instrumentos e efeitos. Todos os controles do Reason e de cada um dos seu
s componentes ficam sempre expostos ao alcance do mouse. Nada daquelas janelas “intuitivas” que temos que adivinhar que existem. Tudo está sempre visível e acessível. E todos esses controles podem ser gravados e automatizados pelo seqüenciador.

O Reason contém no alto da tela uma interface com várias entradas MIDI para os teclados controladores e outra com as saídas de áudio para a placa de som. Bem abaixo, tem o seqüenciador. No meio, fica o Rack, a principal área de trabalho do programa.

No Rack, vamos incluindo os componentes do estúdio, um a um. Mesa(s) de som, efeitos, sintetizadores, samplers e máquinas de loops. Eles são automaticamente conectados à
mesa de som, embora possamos sempre modificar todo o endereçamento na parte traseira do Rack, acessível através da tecla . Ali, vemos cabos coloridos interligando todos os componentes do estúdio virtual com o visual mais realista que já apareceu. Chegam a balançar. Todos os instrumentos estão conectados aos canais da mesa que, no lado da frente, tem até as etiquetinhas de fita adesiva coladas ao longo dos canais com os nomes dos instrumentos. Mandam som para os efeitos pelos conectores Auxiliar Sends e os recebem de volta pelos Aux Returns, como nas mesas “de verdade”. Tudo muito intuitivo e tradicional. Podemos reconectar esses cabos de todas as maneiras, arrastando os conectores com o mouse ou clicando com o botão direito e escolhendo em um menu o destino da outra ponta do “fio”. Depois de tudo, voltamos para a frente do Rack pressionando outra vez. Cada novo instrumento ou efeito adicionado é conectado automaticamente ao canal ou canais correspondentes.

O primeiro dispositivo a ser adotado é a mesa de som. Basta clicar no menu e selecionar para ter uma mesa aparafusada no Rack. Ela tem faders e knobs (botões deslizantes e giratórios) com as mesmas funções de uma mesa real, com exceção dos maus-contatos. As saídas estéreo principais enviam seu som para as primeiras saídas da placa de som. Se forem necessárias, mais mesas iguais podem ser adicionadas indefinidamente, para aumento do número de canais e outros recursos. É só clicar novamente em e em .

Depois, começamos a adicionar os instrumentos. A polifonia deles num Pentium ou Mac atuais é de cerca de 160 vozes. Incluímos os instrumentos no Rack clicando outra vez no menu e no nome de cada componente de nossa infinita coleção de samplers e sintetizadores.

Podemos começar, por exemplo, com a máquina de loops de bateria Dr. Rex. Ela trabalha com o conceito de loops de áudio “reciclados”, usando a técnica de picotar os loops em “slices”, conhecida como “ReCycle”. Se queremos usar um loop de bateria com andamento de 150 BPM numa música de 132 BPM, abaixar o tom com comandos tipo Transpose não é boa prática, pois ainda por cima altera o timbre. O comando Time Stretch, embora preserve a tonalidade, também altera o timbre e tira o ataque original dos sons. Com o ReCycle, cada toque da bateria vira um arquivinho em separado, chamado um slice. Esses arquivinhos com o bumbo, a caixa e o contratempo são acionados por diversas notas num seqüenciador. Um arquivo MIDI chega a ser gerado, e os slices podem ser exportados para outros samplers. Podemos até mesmo mudar a ordem dos sons, criar viradas e outras levadas com os mesmo timbres do loop original e, é claro, tocar em qualquer andamento sem nenhuma alteração na qualidade sonora.

O Dr. Rex vem com um bom acervo de loops de bateria de diversos gêneros, que podem ser executados no andamento que preferirmos. Selecionamos um loop, o abrimos e o enviamos para o seqüenciador na quantidade de compassos desejada. Se quisermos superpor dois ou mais loops, basta abrir vários Dr. Rex.

Outra boa opção para a base rítmica é a bateria Redrum. Ela aceita dez arquivos .wav ou .aif com o bumbo, a caixa e as demais peças. Contém um seqüenciador de padrões rítmicos fácil de operar, mas pode ser manipulada pelo seqüenciador principal do Reason ou ser tocada remotamente por MIDI ou outro seqüenciador sincronizado por ReWire.

Os timbres dos instrumentos de harmonia, melodia ou de colorido são produzidos por dois samplers, o NN-19 e o NN-XT, e dois sintetizadores, Malström e Subtractor, também acessíveis no menu . Todos são racks conectados aos canais da mesa. E todos vêm com coleções de programas ou patches de instrumentos variados. Enquanto o NN-19 é um sampler rápido, fácil de operar e com todos os recursos essenciais, o NN-XT é um sampler muito avançado com detalhadas opções de programação, para todas as necessidades de sound design ou para emular instrumentos. O Subtractor é um sintetizador de estilo analógico setentista baseado na síntese subtrativa com filtros ressonantes, uma técnica bem tradicional. Já o Malström é um sintetizador mais para revolucionário, introduzindo a técnica chamada de Graintable, uma combinação das sínteses granular e wavetable para produção de sons bem mais originais.

Seqüenciando o arranjo. Trabalhar com o Reason é sempre instigante. O seqüenciador é bastante completo, muito intuitivo e inteligente. A cada recurso usado, como pitch bender ou modulation, surge uma janela com o gráfico correspondente. O programa interage com um gravador/seqüenciador como o Sonar através da tecnologia ReWire, que sincroniza totalmente os dois programas, permitindo, por exemplo, gravar a voz num e sequenciar o arranjo no outro. Ao final, é só exportarmos toda a mixagem para um arquivo .wav e podemos queimar o CD.

Conclusões. Quando estamos operando o Reason, a todo instante exclamamos: “lógico!”, “é claro!”, tem razão!” O nome do programa também foi uma escolha feliz. Esqueça toda a fiarada, os manuais em japonês e, principalmente, o alto custo de uma coleção de samplers e sintetizadores. O estúdio MIDI foi inteirinho para dentro do computador. E o seu nome é Reason. Num estilo retrô, ele trouxe novos ares para renovar o já tradicional cenário dos estúdios MIDI.


*Professor-coordenador do Home Studio desde 1994; compositor, arranjador, produtor musical nas áreas fonográfica, publicitária, de multimídia, teatro, rádio, TV e vídeo; consultor de áudio, MIDI e home studio; baixista, violonista e tecladista.

Licenciado em música pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) em 1993, onde lecionou, nos dois anos seguintes, no pioneiro curso de extensão universitária em Home Studio. Cursou também pedagogia na UFRJ e composição na UNIRIO. Estudou improvisação com Hélio Sena, harmonia e piano com Antonio Guerreiro, violão com Ricardo Ventura, percepção musical com Helder Parente, arranjo com Roberto Gnattali, sintetizadores com Alexandre Frias. Ensina música desde 1975.



Fonte: homestudio.com.br

http://homestudio.com.br/Artigos/Art082.htm



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