2 de junho de 2009

Melodyne e seu D.N.A.

por Mário Megatallica



Em Março de 2008 o mundo do áudio foi surpreendido com uma notícia. A empresa alemã, Celemony, fabricante do software Melodyne, estaria desenvolvendo uma ferramenta que permitiria a edição, de forma separada, de sons simultâneos mixados juntos. Traduzindo: sons de acordes, de duetos vocais, etc, poderiam ser desmembrados dentro deste programa, permitindo a sua alteração de forma individual. O que até então era impossível de ser feito passou a ser possível e uma revolução no mundo do áudio estaria prestes a acontecer.

O Melodyne foi concebido pelo engenheiro alemão Peter Neubacker em Outubro de 2000 para ter funções semelhantes a outra ferramenta revolucionária, o Auto Tune, que permitia que fossem feitas alterações de altura em notas individuais de uma linha melódica qualquer, sendo vastamente utilizado para afinar notas desafinadas de diversos instrumentos e principalmente de vocalistas tecnicamente deficientes. Tanto o Auto Tune quanto o Melodyne permitiam a correção de altura das notas, mas o Melodyne possuía um processo de digitalização bem superior ao seu concorrente, provocando menos distorções na nota original e, consequentemente, mais fidelidade tonal ao sample alterado, além de que foi concebido com uma função adicional, que seria a correção de tempo - perfeita para instrumentistas que não conseguiam acompanhar o metrônomo durante as gravações - o que acabou sendo um grande diferencial em relação ao Auto Tune.

Como não estava totalmente satisfeito com o que seu software apresentava em termos de recursos, Peter Neubacker resolver ir muito além do que o Melodyne oferecia e em Março de 2008 abalou o mundo do áudio com o desenvolvimento de uma nova tecnologia, capaz de fragmentar uma amostra musical polifônica em notas separadas, permitindo que cada nota pudesse ser editada separadamente, inaugurando assim uma nova era para o mundo da Mixagem. Peter chamou esta nova tecnologia de D.N.A. (Direct Note Access - ou Acesso Direto à Nota, em português). Tarefas como separar as notas de um acorde, mudar a afinação de uma só corda de violão, guitarra ou baixo, transformar um acorde maior em menor, mudar o tempo de uma nota de um arpejo, entrem muitas outras tarefas rotineiras em um processo de mixagem em estúdio - e que até então eram impossíveis de serem feitas - passariam a se tornar comuns e fáceis de executar. Segundo Peter Neubacker, a nova versão do Melodyne já contará com esta tecnologia e promete fazer uma revolução nos estúdios.

As reações à criação do D.N.A. foram instantâneas e diversificadas. Os entusiastas da nova tecnologia comemoraram a sua criação pois para eles isso significaria a solução de vários problemas enfrentados por produtores e bandas na hora de executar ou registrar um determinado material musical. Para os pessimistas, significava o fim da musicalidade e a banalização da Música já que qualquer um poderia separar trilhas de músicas de qualquer artista, remixando-as de acordo com a sua conveniência e acabando com o pouco de criatividade que ainda existe no mundo da Música atual.

Mas, depois de toda essa polêmica, como anda a aceitação do Melodyne com D.N.A.? Será que o programa realmente passou a se tornar uma ferramenta necessária em todos os estúdios do mundo - assim como aconteceu com o ProTools na última década? Na verdade o D.N.A. ainda está em fase de desenvolvimento e aprimoramento e a nova versão do Melodyne com D.N.A. só deve sair em Setembro deste ano, de acordo com a Celemony; o que não impediu que a empresa faturasse, no início do ano, durante a Frankfurt Musikmesse, o prêmio de Produto Mais Inovador de 2008 concedido pela Musikmesse International Press Awards através da escolha de mais de cem revistas especializadas do ramo. Parece que o meio musical está sedento para testar o novo Melodyne e comprovar que ele é capaz de realizar tudo que seu criador garante. Inclusive, ele abriu uma página no site oficial da empresa - que você pode visualizar clicando aqui - para rebater algumas críticas ao D.N.A. e para explicar como ele funciona e para que foi concebido, tentando encerrar a polêmica que ele mesmo acabou criando sem querer.

De fato ainda é cedo para diagnosticarmos os efeitos da criação e aplicação do Melodyne com D.N.A. nas composições atuais e no mundo dos estúdios. Certo é afirmar que a inteligência artificial está dominando, aos poucos, o espaço que o homem demorou séculos para conquistar através do conhecimento e da sensibilidade artística... Aliás, o que Platão pensaria sobre o novo Melodyne?
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